Como é da ciência de todos, o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi aceito no senado dando assim, prosseguimento ao processo. A respeito de tudo isso quero aqui fazer algumas considerações.
A primeira delas é referente a nossa educação. Quando digo educação, não me refiro somente aquela aprendida na escola, mas aquela que vem de berço, que aprendemos com nossos pais.
Aparentemente, o processo de análise no senado pode ter parecido algo mais organizado e diferente do presenciado na câmara, mas não foi.
Por vezes pode-se observar durante o discurso dos senadores, conversas paralelas, senadores ao celular, havia rodinhas de conversas e alguns ficavam de costas para quem estava fazendo uso da palavra,para conversar com o colega que estava atrás.
Sabemos que é um processo longo, é cansativo e exaustivo e todos saberiam que seria assim. É algo importante. Por mais que todos estivessem com a cabeça feita e que nenhum discurso fosse mudar a opinião de quem, o mínimo que se espera quando alguém está com a palavra,é que os demais o ouça. Além do mais, se coma audiência que tiveram e que sabiam que estavam tendo, não os intimou, o que esperar do comportamento dos mesmo em sessões "normais"?
É espantoso a mim, a falta de seriedade e de rigor que espera-se ser demandado de tais autoridades. As quais são incumbidas de decidir os rumos do pais.
Quero salientar também algumas falas que foram bem interessantes de ambos os lados e que servem de reflexão:
Uma delas é a do senador Aécio Neves que, entre remorsos e agradecimentos ao governador de Minas e relator do processo, disse que é característica do governo populista, a irresponsabilidade e que quando esse governo fracassa, usa o discurso da divisão do país entre "Nós" e "eles" e ao final quem paga o preço é sempre os mais pobres.
Achei bem interessante essa fala, pois sempre fui critica de programas assistencialistas. Penso que se deve-se ensinar a pescar. É necessário que o governo providencie meios para que as pessoas cresçam e se desenvolvam. É claro que esses programas ajudaram famílias mas, para mim, ele trouxe muito mais mal do que bem pois acomodou o governo a pagar "pensão" ao invés de investir em empregos. A natalidade cresceu de forma preocupante pois alguns desses programas davam mais dinheiro a quem tinha mais filhos. Vi mulheres engravidando por esse motivo ou para "substituir" a criança que deixaria de se encaixar no programa por causa da idade.
Sem falar das várias pessoas que mesmo não precisando da assistência, recorriam a ela e conseguiam o dinheiro porque era amiga do responsável pelo processo de cadastramento. Enfim, uma hora esse preço seria cobrado, como foi e está sendo.
Outra fala também interessante foi a do senador Otto Alencar, que falou do que ele chamou de "cerco" que foi feito na câmara federal durante esses dezesseis meses. Segundo ele, não houve como a presidente romper esse cerco a fim de se aprovar projetos que pudessem trazer solução para o país.
Falou ainda que dificilmente alguém governará um país como o Brasil e não cometerá erros. Ressaltou que a presidente errou, mas disse ter certeza que uma falha a presidente não cometeu: a falha moral.
Criticou a nomeação de ministros com "carteira assinada por partidos políticos" e que foram ao ministério para fazer o que os partidos queriam. Segundo ele, essa forma de nomeação dificulta o diálogo. Citou como exemplo uma experiência própria onde após meses tentando falar com um dos ministros, só conseguiu ser atendido após pedir a um membro do partido que elegeu o ministro.
Por fim, mas não menos importante, quero citar a fala do senador Lindbergh Farias. Em seu discurso Lindbergh relembra a história política de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Segundo ele, a elite não aceitava o governo deles e diziam que estes deveriam ser impedidos de governar. Cita a história de 64 relembrando a Marcha Com Deus Pela Liberdade em 01 de Abril em São Paulo, onde pessoas sairam as ruas para lutar contra a corrupção e contra o comunismo. Ele fala que esses atos foram um golpe e hoje são reconhecidos como golpe, mas não o eram naquela época e, para reforçar sua afirmação, Lindbergh faz uso de capas de jornais da época: O Jornal Estado de São Paulo de 02 de Abril que cita o movimento como "Vitorioso" e "democrático"; na mesma data o jornal O Globo estampa "Empossado Mazzilli Na Presidência" e logo abaixo "Ressurge a Democracia". Em seguida Lindbergh diz que, da mesma forma como é lembrada a história política de 64, essa também será lembrada: como um golpe.
Jô Soares relembrou em seu programa algo que me chamou bastante atenção e que ele classificou como "espantosa": Ele conta que em 1961 estava ensaiando uma peça teatral e em uma pausa do ensaio, ele saiu para tomar um café, e nesse dia estava acontecendo um jogo de futebol entre Palmeiras x Santos no rádio. Em dado momento, segundo ele, a transmissão é interrompida com o aviso "Interrompemos a narração desse jogo para informar que acaba de renunciar o ilustríssimo senhor, presidente da república, Jânio da Silva Quadros, obrigado." e a narração do jogo continua normalmente.
Com tudo isso quero instigar a reflexão. Mas para isso, é necessário que nos libertemos de partidos e afinidades políticas.
Nunca fui eleitora do PT, mas isso não me exime, assim como não exime a ninguém, de responsabilidades. Houve uma dado momento que meu desejo era tamanho pela saída do partido do poder, que sentia vontade de votar no seu principal adversário apenas para ver o partido cair. Mas não o fiz. Porque no fim das contas, votar no que não se acredita, é apenas substituir um santo por outro. Mudam-se as caras, mas o resto continua igual.
Creio eu que o que mais motivou todo esse fervor nas ruas, foi também esse mesmo desejo. E por tê-lo já experimento é que pedia a meus amigos, cautela.
Apesar do mal governo, o PT não trouxe apenas coisas ruins. Muita coisa boa aconteceu como as universidades públicas, o Fies, o Enem, os programas de moradia. Mesmo os programas assistencialista, os quais já critiquei acima, não foram de todo uma má ideia. Talvez mal executada.
Queria muito ver o PT sair do poder, e agora que esse dia chegou, não me sinto feliz. Porque para mim, não foi justo, não foi racional.
Acusaram o partido de corrupção, acusaram a presidente de corrupta,apesar não constar contra ela nenhum investigação.
Ao contrário de outros que roubam e enchem seus cofres no exterior, o erro dela foi deixar de pagar aos bancos, para não deixar de pagar os programas sociais.
Alguns clamam e dizem ser justo novas eleições. Mas para mim, dará no mesmo.
Votaremos em quem? Todos são acusados de corrupção. Bolsonaro? Não, claro. Marina? ela não tem culhões necessários para exercer o ofício.
A única coisa boa que consigo imaginar de tudo isso e que espero que alcancemos é maturidade política. Espero que depois de tudo que vimos, aprendamos a votar, pensemos melhor. Espero que sejamos mais exigentes e com isso nasça maior fiscalização contra corrupção. Espero que deixemos de ver política como um jogo de futebol, onde cada um tem um time e briga por esse time, e xinga e apelida o outro por ter um time diferente do seu.
Precisamos aprender a ser o nosso próprio partido. Chega de votar em alguém porque seu pai/mãe vota a séculos. Chega de votar em alguém por se sentir em dívida. Não temos dívida por partido nenhum e por candidato nenhum. Eles não nos fazem favores. São pagos e o que fazem não passa de obrigação. Chega de viver de pão e circo, de sermos entretidos por um jogo exatamente no momento em que algo muito maior está em xeque. Chega de sermos enganados, iludidos e deixados para trás.
Finalmente, espero principalmente estar errada e que não paguemos um alto preço pelas decisões ora tomadas.
See you!