Olá mais uma vez!
Esses dias tive vários contatos com críticas aos nossos vícios pela internet e quero tratar sobre agora mas, primeiro, vou tratar sobre os tais "contatos":
Contato 1- Tudo começou quando sem nada melhor a fazer, peguei um DVD que estava dando sopa no meu trabalho e o assisti. Se tratava do filme Sem Vestígios, um suspense mediano que trabalha mal uma idéia inteligentíssima. Bom, deixa eu deixar meu lado crítico de lado e me explicar melhor, o filme é sobre uma série de assassinatos que são divulgados via streaming pela internet onde a morte é acelerada ou parada por conta do numero de acessos que o site esta recebendo. Sem querer spoilar mas já spoilando, as mortes são sempre apressadas pelo alto nível de acessos que o site recebe dos "curiosos"... Não precisa ser muito inteligente para chegar a conclusão que isso é algo que aconteceria na vida real, caso algo bizarro assim acontecesse. Basta ver exemplos como mortes filmadas que permanecem sempre sendo o alvo de incontáveis pesquisas de buscas, exemplificando, execuções feitas por fanáticos religiosos. Fechando o contato 1, o filme não é dos melhores mas faz uma critica genial a discriminação da morte que a internet proporciona. Convivemos com imagens fortes a cada click e não nos importamos na maioria das vezes que os familiares podem estar sofrendo muito com a exposição daquilo. Os nossos acessos só fazem com que essas imagens e videos se multipliquem para que sites e blogs ganhem mais e mais em cima da dor alheia.
Contato 2- Minha mulher tinha deixado a TV ligada e na programação do canal que estava sintonizada, o Cartoon Network, passava O Incrível Mundo De GumBall, um desenho que consegue ser inteligente e besta ao mesmo tempo, curto muito ele hehe. O episódio era exatamente outra crítica a esse universo chamado carinhosamente de internet. Nele, sem querer, um vídeo contendo vergonha alheia cai na rede e o bullynado pelo vídeo resolve ir atrás da Internet (sim, a Internet é com letra maiúscula pois é um personagem) para que ela retire o vídeo do ar. A internet mesmo com toda a lição de moral dos personagens não retira o vídeo do ar e se mostra um tanto quanto maligna ao dizer que tem que rir mesmo da desgraça alheia...
Contato 3- Lendo as noticias do dia me deparo com uma pesquisa feita na Europa por uma professora do ensino médio onde se descobria que o bullyng cibernético tinha alimentado e que os jovens estavam cada vez se expondo mais pela rede. Descobriu desde que jovens mocinhas estavam fazendo strippers para estranho até jovens que estavam decididos a cometer suicídio por causa de ciberbullyng e outras coisas mais...
Tive outros contatos mas nada que mereça citação aqui.
Depois de muito refletir sobre tudo isso, cheguei a conclusão que muita gente não entende que o que acontece nesse mundinho paralelo que é a internet reflete aqui no nosso. Nossa época já tem pessoas que nasceram com essa invenção em mãos e outras que, como eu, a viu nascer enquanto crescia. O problema que apesar disso, é algo muito novo e também poderoso, temos qualquer informação e extensões da mesma informação na palma de nossas mãos para ser acessadas em segundos, ou não, caso você esteja operando no 3G da TIM.
Informação, a chave da internet é essa. Mas quando falamos de ciberbullyng, de videos vazados e tudo mais, essa "chave" abre uma porta para o inferno. Enquanto fazia algumas pesquisas para esse post, descobri a historia de Alexis Frulling que se enquadra em partes no que quero chegar:
Alexis saiu com uns amigos para um show e, no caminho do show, bateu a ideia de fazer uma menage á troa na rua, nada demais. O problema é que alguém filmou e vazou na internet. A moça se divertindo com seus dois amigos. Não cheguei a assistir ao vídeos mas vi os comentários sobre ele e é apenas um vídeo de 8 segundos que "não mostra nem uma buceta ou piroca" como comentou um leitor do site de noticias. O caso é que um vídeo nesses termos rendeu para a moça milhares de comentários maldosos, xingamentos na rua e tudo mais. Veja bem, por conta de um vídeo de 8 segundos essa moça foi insultada de todas formas possíveis por muito, mas muito mais tempo que isso, ou seja, por menor que seja o tempo, a internet pode mudar a sua vida. Alexis entendeu isso e fez um vídeo bem humorado onde comendo um pepino chega a conclusão que "quem a odeia, vai continuar a odiando e nada irá mudar isso".
Também temos o caso do cantor sertanejo Cristiano Araújo que após morrer em um acidente automobilístico, teve as fotos da perícia e até mesmo o exame do médico legista vazado, isso mesmo, o cara tava lá todo aberto e alguém achou que seria legal que o resto do mundo visse as entranhas dele. Esse vídeo cheguei a ver, meio que sem escolha já que no trabalho um imbecil veio me mostrar como quem mostra um anuncio de um açougue. Nem preciso falar que esse vídeo se popularizou e mesmo quem criticava algo assim, tinha em seu celular, sim, hipócritas. Como não curto musica sertaneja e tudo mais, não sei o que os familiares do cantor sentiram a respeito disso mas imagino que tenha sido algo extremamente triste.
Outros muitos casos de exposição aconteceram, como aquele do vídeo vazado de um casal fazendo sexo em que se popularizou tanto que chegou ao marido da menina que por sua vez matou o cara do vídeo.
Expor uma outra pessoa na internet vai mudar a vida dela não só na internet, mas na vida real, ou seja lá como podemos chamar nossa vida analógica. O fato é que essa exposição só existe porque existe um publico para ela: nós. Antes de baixar ou abrir um vídeo vazado, antes de comentar uma ofensa contra alguém ou até mesmo buscar algo que denigra a imagem de alguém, pense nisso pois agora você é apenas o usuário mas um dia poderá ser a vitima.



