Hey you!
Hoje quero falar de mais uma das minhas brisas na volta para casa. Aliás, já até começo a pensar seriamente em fazer uma tag para isso, quem sabe... Enfim, vamos a ela:
Estava no ônibus quando passamos em frente a um imóvel com a placa "Vende-se este imóvel. Dois dormitórios". Automaticamente pensei: Preciso de três. Um para mim e meu marido, outro para nossas filhas e outro para nosso filho.
Seguido a este pensamento me veio então o dos tempos mais antigos, de quando era importante que a casa de qualquer pessoa contasse com um quarto de visitas. Desde que me entendo por gente, essa era uma das principais preocupações de muitas famílias na hora de comprar ou construir a casa própria. A casa do meu pai e avós eram assim.
Naquela época, receber ou ser visita na casa de alguém era sempre motivo de festa, alegria, risos! Era o momento de colocar a prosa em dia, se atualizar sobre os fatos, os lugares. De preparar o que tivesse de melhor para servir.
Quando morei com minha mãe em uma fazenda, esse prazer era ainda mais acentuado devido a proximidade das famílias. Lembro-me que época de São João, por exemplo, era divido aquele leitão que fora engordado o ano inteiro especialmente para aquela ocasião. Não era apenas minha mãe quem compartilhava, os vizinhos a quem ela mandava porções do leitão, também mandavam a ela porções do leitão que também haviam matado. O mesmo acontecia com o biscoito de goma, a varinha, feijão.. E tudo mais que produziam. Eu não entendia e até mesmo cheguei a indagar a minha mãe: Se mandam sempre o mesmo que a senhora manda, porque então cada um não fica com o seu já que dará na mesma? Ela respondia que não era assim, que devíamos compartilhar tudo com os outros.
Na véspera e dia do S. João era um entre sai infinito de casa. As panelas estavam sempre cheias, havia comida o dia inteiro. Pessoas chegavam, comiam, conversavam, traziam coisas, riam iam embora.
Depois era nossa vez de visitarmos. E o mesmo que acontecia na nossa casa, se repetia na casa dos vizinhos, sem exceção.
Eram épocas de alegrias! Não apenas nessa data especifica mas em todo ano. Tempos em que um sempre estava pronto a ajudar o outro com o pouco que tinha. Mesmo muitas vezes não tendo nem o suficiente para si e sua família. Mas dividiam mesmo assim. Porque sabiam, que poderiam contar com a pessoa quando estivesse na mesma situação.
De lá para cá, muita coisa mudou. As coisas evoluem. A pressa se faz essencial nesse mundo moderno que tanto "almejamos". Ele nos arrasta. Quem não acompanha seu ritmo não tem vez, não tem chance. Fica para trás.
E nessa correria muitos laços vão se perdendo. Desfazendo-se no caminho e ficando ao chão.
Ter alguém em casa nos atrasa. Há sempre tantas coisas para fazer!
Compartilhar o que é meu? Está louco? Acha que vou dar algo para um sem que fazer? Que vá trabalhar!
Sempre fui um pouco antissocial. Desde pequena. Meu marido - graças a Deus- também é. Mas qualquer antissocial sabe que é bom, mesmo que esporadicamente, estar com amigos. Com pessoas legais que nos façam rir, que tenham um bom papo e o prazer de estar com os demais.
O difícil mesmo é ter e ser esse amigo.
O mundo que hoje une as pessoas dos mais diferentes e distantes lugares, é o mesmo que afasta aquelas que estão sempre ao nosso lado.
É sempre mais fácil se emocionar, chorar, indignar e revoltar com uma situação que vemos em uma rede social que sentirmos o mesmo quando acontece bem debaixo do nosso nariz. E se nos damos conta, vamos tirar uma foto, fazer uma "selfie" porque é sempre mais prático (e bonito) fingir sentir algo, que realmente sentir e fazer algo a respeito.
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